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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Branca di Neve



Nelson Fernando de Moraes, O Branca di Neve 
São Paulo, 1951 - Agosto de 1989
Foi um Cantor, Compositor e Percussionista brasileiro de Samba-rock.
Vitimado por um derrame cerebral aos 38 anos de idade, em 1989, tinha acabado de gravar o segundo disco solo. Antes disso, ele tinha passado pelos Originais do Samba, roncou surdo com o Luis Vagner o guitarreiro celebrado por Jorge Ben Jor, seu ídolo e modelo, com quem também tocou, além de Nara Leão, Baden Powell e Toquinho. Seus discos refletem a influência do Samba-rock ou suíngue do Babulina que se transformaria na célula básica (depois deturpada) do pagode paulista. Com sua voz quebrada que em alguns momentos lembra Luiz Melodia, agulhada pelos sopros gingantes do estilo, Branca canta outros expoentes do setor como Bedeu (Kid Brilhantina), Luis Vagner (Oi), Marku Ribas (Canaviá), Zelão (Boca Louca), além das próprias composições, uma delas, A Cor de Deus, que ele chegou a mandar numa apresentação para o bispo africano Desmond Tutu numa visita à Bahia. Com uma grande taxa de originalidade, Branca Di Neve desenvolveu uma ramificação da matriz benjoriana (...) A morte precoce de Branca cortou as asas desse ramal promissor do samba rock.
O cantor Branca di Neve estava no auge quando morreu, aos 38 anos, de derrame cerebral em agosto de 1989. Seu álbum, Branca mete bronca!, volume 1 tinha vendido bem e as músicas estavam nas paradas de sucesso de todo Brasil, além dos salões de baile e rodas de samba.
O hit "Boca Louca" o levou até ao programa Perdidos na Noite, apresentado por Fausto Silva, antes de ser contratado pela Globo. Ao contrário da maioria dos sambistas, que na época não caprichavam nas roupas quando apareciam na televisão; Branca di Neve optou pelo uso de smoking ou blazers bem cortados. Os músicos de sua afinada banda Mandela, trajavam batas, com notas musicais estampadas no peito. A beleza do visual combinava com o som de primeira. Bem no estilo de conjuntos e cantores norte-americanos.
Antes de chegar ao sucesso, Branca di Neve (Nelson Fernandes Morais) comeu moita poeira, numa época (décadas de 1960, 1970 e início da de 1980) em que o samba não tocava muito.
Aprendeu a tocar violão, com o velho suingue de Jorge Benjor, na praia do samba-rock, enquanto tocava surdo, no final da década de 1960, aos 18 anos, em conjuntos que se apresentavam na casa de shows Barracão de Zinco, em Moema, Zona Sul, de São Paulo.
Em 1972 fez parte do Trama Trio junto com os percussionistas Luiz Carlos de Paula (seu amigo de infância) e Marcos Santos, e juntos tocavam com o cantor Bebeto na noite paulistana.
Pouco tempo depois passou a integrar a "cozinha" de conjuntos de samba ou de outros artistas, como Toquinho, parceiro de Vinicius de Morais durante vários anos, que viajavam ao Exterior. Nessa época, Branca di Neve passou a ser muito requisitado para participar de gravações em estúdio, por causa do seu modo de tocar surdo. Sua batida tinha o som de um contrabaixo, algo que poucos ritmistas conseguem.
No final da década de 1970 substituiu Rubão, um dos fundadores do grupo Os Originais do Samba, falecido em 1978. Mas o grande sonho de Nelsinho, como a rapaziada do bairro do Bixiga, Centro de Sampa, o chamava, era gravar um disco. O assunto aparecia após o futebol no time do bairro, o Luzitana; ou mesmo com a equipe Namorados da Noite, onde corriam atrás da bola o inesquecível locutor Osmar Santos, Chico Buarque, Miéle, Carlinhos Vergueiro, Zé Nogueira entre outros.
Em 1986 o samba estava com muito gás. Mesmo boicotado pela maioria das rádios, ele aparecia no programa O Samba Pede Passagem, da FM rádio USP, apresentado por Moisés da Rocha. As músicas viraram balas na boca da população. É quando explodem, com o nome de pagode, canções do grupo Fundo de Quintal, Almir Guinéto, Jorge Aragão, Beth Carvalho, Eliana de Lima, Jovelina Pérola Negra, Zeca Pagodinho, Pedrinho da Flor, Cravo e Canela entre outros.
Num domingo, final de 1985, Branca di Neve aparece no boteco que fica diante da quadra da Vai-Vai, bairro do Bixiga, região central de São Paulo, de violão em punho; canta dois versos de um samba-rock: "Você sabe a cor de Deus?/ quem sabe não revela..." Na roda de compositores e simpatizantes da alvinegra do carnaval paulistano, garantiu que iria gravar um LP (disco de vinil com 12 músicas). Este que vos escreve, se encontrava dentro do boteco, e em outras vezes chegou a tocar com Branca di Neve a mesma música. A maioria não levou a sério, porque era comum naquela época sambista prometendo disco, que nunca se tornava realidade.
Meses depois ele estoura nas paradas com o álbum Branca mete Bronca! volume 1. O disco sumiu das lojas. Várias canções, a maioria em parceria com Antonio Luiz, passaram a tocar nas rádios FMs USP, no programa O Samba Pede Passagem, de Moisés da Rocha; e Sambalanço, da Manchete. O hit "Boca Louca", autoria de Zelão, cobrador de ônibus da extinta CMTC, levou Branca di Neve ao Perdidos na Noite, apresentado por Fausto Silva.
Em quase três anos, Branca di Neve fez shows em diversas cidades do Brasil. Um deles ficou na memória dos gaúchos, durante apresentação no ginásio Gigantinho, em 1988. Porém em agosto de 1989, o destino não permitiu que ele terminasse o segundo álbum: Branca mete Bronca! volume 2. O derrame cerebral impediu que Branca di Neve pudesse cantar para os casais apaixonados o samba-rock "Saudades da Minha Preta": Que saudades da minha preta/ aonde é que ela está/que saudades da minha nega/ sem ela não posso ficar"..
Um grande artista que nos deixou precocemente !!

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